segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Criar o Futuro

"Criar o futuro é menos arriscado do que defender o passado"

(Peter Drucker)

quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Acreditar no Norte – resultados

Através destes links terá acesso ao que de mais significativo foi desenvolvido no âmbito desta iniciativa:

Balanço das eleições para a Federação Distrital do PS
Acreditar no Norte e as eleições para a Federação – o início de uma nova etapa
Acreditar no Norte – propostas apresentadas
Eleições para a Federação – processo e esclarecimentos
Acreditar no Norte – balanço de 6 meses de actividade
Acreditar no Norte – balanço de 3 meses de actividade
70 medidas para Acreditar no Norte
Acreditar no Norte nos Media
Apresentação do projecto Acreditar no Norte


Celso Guedes de Carvalho
celso.guedes.carvalho@gmail.com

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Bem-vindo 2009

“A utopia está no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos. Caminho dez passos e o horizonte afasta-se dez passos. Por muito que caminhe, nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

(Eduardo Galeano)

quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Elisa Ferreira: Porto é um grande desafio

Relançar o Porto é a promessa que Elisa Ferreira faz à cidade. Ser presidente da Câmara, garante, seria "a coisa mais importante" da sua vida e deixaria todo o trabalho que está a desenvolver. Se for eleita vereadora, abandonará o Parlamento Europeu? É um caso a pensar, diz a eurodeputada, que faz um apelo à união do PS nas próximas autárquicas.

Vai candidatar-se à Câmara do Porto nas eleições autárquicas?
Ainda não é o momento do anúncio. O trabalho está muitíssimo bem encaminhado, mas falta finalizá-lo. A finalização passa, por exemplo, por uma tomada de decisão e convite formal por parte do Partido Socialista (PS), sobretudo ao nível da Concelhia do Porto. Penso que o fará a curto prazo. Da minha parte, o processo tem vindo a construir-se num sentido positivo, mas não há pressa. O importante é que tudo suceda a seu tempo, amadurecendo naturalmente.

Então, está pronta para esta candidatura, mas o PS ainda não?
Não acho que seja isso. É um processo de convergência que, informalmente, tem gerado muitos aspectos positivos. Falta que a Concelhia conclua o trabalho que tem desenvolvido através da confirmação da decisão de um convite, de acordo com os estatutos.

É um processo do PS que envolverá outros independentes?
Sim. Será uma das componentes importantes do fecho do acordo, caso venha a concretizar-se. Sempre trabalhei politicamente, mas não sou uma política profissional. Sou uma professora universitária e uma cidadã com carreira própria, que sempre teve intervenção cívica e, a partir de certa altura, política. Então, trabalhei sempre com o PS. Entendemo-nos de forma equilibrada e nunca tivemos conflitos. Agora, neste processo, a convergência implica uma solidez de entendimento, mas também uma percepção de que há necessidade de um alargamento para uma candidatura vencedora. Muitos serão militantes, outros não. Uma candidatura, que poderá ser o que a cidade precisa, terá de ser abrangente com um núcleo central socialista, mas que se abra à sociedade civil, quer à Esquerda, quer à Direita. O Porto não se afirma separadamente da Área Metropolitana, do Norte e do país. A candidatura só terá sucesso se conseguir relançar o concelho.

Fez depender a candidatura de uma maior atenção do Governo à região, porque "ser voluntarista não chega". Já teve essa garantia?
Fiz essa proposta e penso que tem condições para ter uma resposta positiva. Isto passa por entendermos que o progresso do Porto é uma peça fundamental do progresso do país. O Norte sempre foi uma zona por excelência que trazia a Portugal uma abertura ao exterior e uma afirmação do país e da sua capacidade produtiva perante o mundo. E o Porto sempre foi a cabeça dessa dinâmica. Isso tem de ser relançado. Mas é preciso que, dos níveis regional e local, saiam propostas adequadas.

O que aconteceu? O poder central foi subjugando a região ou o poder local não se impôs?
Com a globalização, é muito perigoso anular as diferenças dos diversos espaços do país em função de uma leitura artificial. E perdeu-se a noção de que o essencial era relançar o Norte e o Centro como base produtiva de todo o território. Além disso, o Norte perdeu o protagonismo e o discurso claro sobre para onde queria ir.

Falta uma voz comum ao Norte?
Sim, o que não quer dizer que faltem actores. Há muitos protagonistas e instituições robustas. Faz falta uma região. Há muito que defendo a regionalização. E falta, sobretudo, uma rede que ponha todos num discurso de convergência, perceptível a nível central e que não se desagregue em pequenas vaidades ou rivalidades.

Que papel deve ter a Câmara do Porto nessa rede?
Deve ser fundamental. A situação é, hoje, de muita desagregação. Em Lisboa, não se ouve uma voz clara e harmónica da região. Ela tem muito potencial, mas é preciso refazer a rede e a Câmara é o actor que terá de o fazer.

A propósito do ciclo negativo que a região atravessa, disse que "o dinheiro não resolve, mas facilita".
Temos de evitar facilitismos de discutir tudo com dinheiro, porque dinheiro é aquilo que temos tido. É verdade que fizemos obras muito importantes com os fundos e, hoje, temos uma região razoavelmente infra-estruturada. Por vezes, diz-se que faltou dinheiro para a formação das pessoas. Faltou foi organização e vontade. Agora, temos de passar das pedras para as pessoas e fazer com que a nossa mão-de-obra seja, reconhecidamente, a mais competente.

Esta percepção fê-la avançar?
O Porto está muito fechado sobre ele e mantém a discussão em torno de meia dúzia de temas que já se debatiam há oito anos, como o Parque da Cidade, a Baixa, o Bolhão...Há um potencial muito grande que precisa de ser revitalizado. Toda a gente tem de dar o salto, senão corremos o risco da cidade se tornar irrelevante, como já aconteceu com outras.

A governação de Rui Rio afunilou o discurso político no Porto?
Não me interessa discutir as pessoas. Estarão a fazer o melhor que são capazes. Interessa-me saber se é possível fazer completamente diferente. Recuperar as imagens que temos do Porto, enquanto cidade da Liberdade, do trabalho, da competência, da independência. Será que ainda estamos à altura destes pergaminhos?

O Porto já não é só o território do concelho, mas é também Gaia, Matosinhos e Maia, o que significa que os problemas têm de ser resolvidos com os concelhos vizinhos...
É uma evidência. Mas também não podemos resolver os problemas de toda a área envolvente e esquecermo-nos de que há um coração e que o corpo não funciona sem ele estar activo. O Porto é esse coração. Temos uma Área Metropolitana dinâmica, cujo coração está um pouco esmorecido.

Qual será o envolvimento do PS neste projecto de relançar o Porto?
É importante que haja toda a liberdade para o partido discutir e questionar mas, o pacto comigo tem de ser feito de forma confiante e assumida, em torno de um programa claro e convergente.

O facto de ser candidata ao Parlamento Europeu leva os seus opositores a dizerem que procura uma garantia no caso de perder as autárquicas.
Não tenho essa leitura. No PE, desenvolvo um trabalho muito duro e útil para a região e para o país. Faz sentido, para poder protagonizar uma candidatura ao Porto, largar tudo o que tenho estado a fazer, independentemente daquilo que está em curso e mesmo quando tem clara importância para a região e para o país? Se vier para a Câmara, vou deixar o trabalho que estou a desenvolver porque o Porto é, para mim, mais importante.

Deixará o PE em prol da Câmara?
Se os portuenses confirmarem o seu interesse em que eu venha trabalhar pelo Porto, isso será talvez o ponto mais importante da minha vida profissional, apesar de tudo o que já fiz.

O que está a dizer é que, até agora, não teve um cargo tão importante como o de ser presidente da Câmara?
Essa seria a coisa mais importante da minha vida profissional, sem dúvida, por muito estranho que isto pareça aos meus colegas estrangeiros, que dizem "nós começamos por presidente da Câmara para ir para ministro". Seria o desafio mais importante porque é a minha cidade. E não é o ser presidente, é relançar o Porto.

Uma pergunta que vários socialistas e a própria cidade colocam é se abandona o PE se for eleita.
Sim. Claramente.

E se perder, ficando apenas como vereadora, também deixa o PE?
É um assunto que veremos na altura. Oportunamente, veremos as condições exactas de uma eventual candidatura. Mas se viesse a ser eleita presidente, largava absolutamente tudo para estar aqui.

"O pior é perder tempo com questiúnculas"

Como tem encarado a evolução do projecto do Metro do Porto?
O Metro é um projecto que necessita de ser finalizado naquilo que é fundamental neste quadro comunitário. Quanto à mudança da maioria do capital, fico muito limitada em dizer que os municípios devem ser maioritários. Enquanto ministra do Ambiente, exigi ter uma maioria na Águas do Douro e Paiva por uma questão de eficácia. Tudo depende do entendimento entre o Governo e as câmaras. Creio que há esse entendimento e uma vontade política clara da Administração Central em avançar com o projecto.

O metro na Boavista tem gerado muita polémica. Qual é a sua opinião?
O metro tem que coser a cidade e não me parece que o traçado da Boavista seja o ideal. Pelo contrário, penso que toda a avenida está desconexa e é, hoje, uma marca muito negativa destes desentendimentos permanentes. Este assunto não tem sido tratado de uma forma normal, calma e na base de um entendimento. Eu sempre defendi que o metro ali não funcionava. Não era a melhor solução. A mais adequada seria o eléctrico. O traçado de metro necessita de agregar a cidade e servir as zonas mais populosas, como a linha do Campo Alegre.

Mostra-se optimista quanto ao entendimento entre autarcas e Governo à luz do novo modelo de governação. Mas desde então não tem havido convergência...
É preciso que essa convergência exista. Ninguém está de má fé. O pior que pode acontecer é perder tempo com o vaivém de notícias e de questiúnculas numa altura em que é necessário apressar os projectos, candidatá-los e receber dinheiro de Bruxelas o mais rapidamente possível. É de interesse nacional e dos cidadãos que se acertem traçados e se arranque com a expansão. Face ao estado da economia e à necessidade de não desperdiçar fundos estruturais, não deve perder-se tempo precioso a fazer números para os jornais. Isso é o mais importante.

Acha que essa rapidez é exequível com um calendário para a expansão do metro que vai até 2022?
Claro que é exequível. Um calendário de obras estruturais pode ser a médio e longo prazo. O importante é que a dinâmica de criação dos projectos não conduza a uma dilação temporal que ponha em risco os próprios fundos. Vamos discutir os traçados rapidamente. Este tipo de projectos, por depressa que arranquem, demoram sempre tempo. Era fundamental, portanto, lançar, desde já, um conjunto de outras dinâmicas com mais impacto imediato e sem um caderno de encargos tão exigente que obriguem a um calendário tão diferido.

Relação com Governo não é subserviente

Francisco Assis, vereador e eurodeputado, foi criticado, inclusive pela Concelhia do PS, pela sua ausência. Não receia ser acusada do mesmo?
Do mesmo modo que não sou membro do PS, porque nem sempre consigo ajustar o meu pensamento à normal regra partidária, também a forma como penso não é comparável com ninguém. Farei, na altura, a explicitação do meu contrato com o PS. A seguir, proporei um contrato à cidade.

Terá liberdade para escolher a equipa?
É uma das vertentes do tal entendimento global. A minha leitura é a de que terá de haver um voto de confiança na pessoa e encontrar-se um equilíbrio entre o peso político e a importância do partido e a perspectiva de alargamento.

Se não obtiver maioria absoluta, admite fazer uma coligação?
Daqui a algumas semanas, um mês ou dois, obviamente terei de explicitar tudo isto. O que posso dizer é que tem de ser uma candidatura abrangente em torno de um projecto de cidade.

Tem tido conversações com os partidos mais à esquerda do PS?
Não tenho conversado com partidos, mas com muitas pessoas.

Mas tem falado com responsáveis do PCP e do Bloco de Esquerda?
Sim, dou-me bem com eles. O essencial é termos vontades convergentes vindas de todo o espectro partidário, de pessoas que querem dar algo à cidade e não apropriar-se de um projecto para irem buscar algo, aproveitando-se de pequenos espaços e poderes.

É fundamental o PS não ir dividido nestas eleições, factor apontado como causa para derrotas anteriores?
Isso é absolutamente fundamental. E, por isso, não considero que, eticamente, deva aceitar, como outras pessoas fizeram e várias vezes me foi sugerido, ser candidata independente. Não o quero fazer e não me ficava bem. Agora, a ser candidata, quero sê-lo do fundo da alma. Tem de ser uma candidatura em que se revejam os socialistas. E que eles sintam. Por esse motivo, não tenho feito chantagem ou pressão. O partido tem feito a sua maturação e eu tenho realizado muitos contactos. Tem sido um trabalho muito interessante. No final, quando me fizerem uma proposta, que os termos e a vontade sejam claros. E que seja uma vontade vencedora.

Apesar de já a ter escolhido e de ser consensual, o PS equacionou outros candidatos como Nuno Cardoso...
É evidente que o unanimismo também não é a solução, mas tem de haver uma clara força de vontade por parte do partido. E tenho tido todos os sinais nesse sentido.

Fernando Gomes seria uma boa solução para a Assembleia Municipal?
Sou muito amiga dele e tive muito gosto em ser sua assessora na Câmara. Foi o grande presidente da Câmara do Porto e será sempre uma grande referência. Ainda hoje olhamos para a cidade e vemos as marcas que deixou. Conto com ele e com o seu apoio. Se esse será o lugar mais adequado, é ainda um assunto extemporâneo.

A Distrital do PSD/Porto considera que "é a candidata ideal" para que Rui Rio possa repetir a maioria absoluta. E que é "sucessora" de Fernando Gomes e Nuno Cardoso porque nunca discordou do rumo seguido. Como lhe responde?
De facto, tenho muito orgulho em não me demarcar da política de cidade de Fernando Gomes. Nuno Cardoso teve um período muito curto e difícil.

Também foi convidada para Gaia. O líder da Concelhia defende, agora, que a candidatura seja apresentada em conjunto com a sua, num sinal de aproximação entre os dois municípios, contrário à relação conflituosa entre Rio e Menezes. Concorda?
A única cidade pela qual estaria disponível para equacionar uma candidatura era o Porto. Em segundo lugar, Porto e Gaia têm de ter uma relação muito estreita e completamente cúmplice. O rio tem de ser factor de união e não de separação. Tem de haver capacidade de discutir projectos.

Um dos pecados da governação de Rui Rio é a falta de articulação com Gaia?
Não há articulação suficiente. Devem ter estratégias convergentes. A requalificação ambiental permitiu a Gaia relançar-se muito e é importante que esses benefícios sejam partilhados pelas zonas ribeirinhas dos dois lados.

Em 2009, há três eleições. O facto do PS ser Governo pode afectar positiva ou negativamente a sua candidatura?
Não faço a mínima ideia de como as coisas vão ser lidas pelos cidadãos. Gostava que a necessidade de relançar o Porto e o Norte fosse o nosso objectivo fundamental. E não o queria ver prejudicado por lutas partidárias, rivalidades ou estratégias políticas. O meu desígnio é que o país se relance, que o Norte volte a ter protagonismo e o Porto seja a capital da região. Como as eleições vão jogar aí? Espero que não se prejudiquem mutuamente, porque pode haver convergências, até ao nível das eleições europeias. Poderei não concordar com todas as linhas seguidas por este Governo, mas fez uma mudança muito grande. Mexeu em corporações e em vícios enquistados.

Há um esforço para mostrar que, no essencial, não diverge de José Sócrates?
Tenho tido uma convergência total, em termos de linhas de fundo, com a política nacional. Considero-me livre de discordar e faço-o com a maior das frontalidades, para bem do país e da região. E penso que a nossa relação é muito saudável porque não é de subserviência, é de respeito mútuo e de solidariedade nas questões verdadeiramente importantes.

"Não vejo necessidade de hostilizar o FC Porto"


É reconhecidamente adepta do FC Porto.
Sou sócia...

E é sabido que as relações entre o actual presidente e o clube são desastrosas. O que mudará se for eleita?
Fui seis anos ministra, vivi oito anos em Lisboa e fui deputada no Parlamento nacional, mas nunca precisei de deixar de me afirmar como portuense nem como portista no exercício das minhas funções. Nunca precisei de passar por metamorfoses. E não vejo necessidade de hostilizar uma entidade como o FC Porto, que prestigia o país. Quer se queira quer não, ao nível desportivo é uma imagem de excelência associada à cidade. Assim como é o trabalho feito por Sobrinho Simões, Mário de Sousa e Quintanilha, ao nível da investigação na área da Saúde. Assim como é a Universidade do Porto, a Casa da Música ou a Fundação de Serralves. Acrescentaria, aqui, o Vinho do Porto. Em Bruxelas, foi tema da exposição que fiz, para dar à minha região e cidade o máximo de visibilidade dentro do Parlamento Europeu. São marcas de excelência e têm de ser respeitadas. Quanto ao futebol, se há problemas tratem-se no espaço certo. Se o Boavista estivesse a afirmar-se no espaço europeu, teria o maior gosto em defendê-lo, e o mesmo digo em relação ao Salgueiros. Tudo o que houver de excelência na cidade, vou dependurar em torno de uma imagem da cidade que tem de afirmar-se além-fronteiras.

Projecto do Rivoli traz dinâmica à cidade

É uma opção correcta colocar a reabilitação da Baixa sobretudo nas mãos dos privados?
A iniciativa privada é um factor fundamental para relançar toda a dinâmica, mas a sua acção tem de ser regulada. É preciso haver uma articulação entre Estado e mercado. Neste momento, também não queria discutir o processo de reabilitação. Há sociedades de reabilitação urbana em várias cidades. É uma política muitíssimo interessante e julgo que há grandes margens de progresso para um instrumento com imenso potencial, mas que precisa de ser refinado.

A Maioria PSD/PP tem optado pela privatização de equipamentos municipais por considerar que o privado gere melhor. Concorda?
Confrange-me que o poder local dê essa imagem, até porque, na negociação com a Administração Central para a transferência de poderes, é importante que haja uma prova de que existe capacidade de gerir. A gestão pode ser feita internamente, partilhada ou concessionada. Depende do tipo de projectos. No caso do Mercado do Bolhão, faz-me confusão que a imagem seja de uma incapacidade de gerir: ou se transfere para os privados ou para a Administração Central. Isto fragiliza-nos. Não se dá uma imagem de competência. Parece-me complicado não ter um controlo razoável e competente do modo como se gerem de alguns equipamentos importantes para a cidade.

O mesmo sucedeu ao Rivoli...
Neste caso, interessa mais ver as contas, porque o projecto traz dinâmica à cidade. O problema é ele ser o único. Mas há duas questões que é preciso equacionar: quais são as outras componentes da política cultural que deve ser diversificada e ter muitos públicos. E quanto custa, quanto se ganha e quanto se perde? Isso tem que ser clarificado.

O Porto é hoje uma cidade com menos diversidade cultural?
A dimensão cultural do Porto é uma das componentes fundamentais de uma cidade que seja uma metrópole europeia capaz de dar qualidade de vida aos cidadãos. Para mim, a cultura deve ser um fenómeno muito diversificado. É preciso clarificar o que é cultura e o que é entretenimento, o que é comercialmente rentável e aquilo que uma cidade tem de fazer e que toca, não a parte propriamente rentável, mas o questionar das coisas. O que faz com que os cidadãos pensem. E temos a virtude de no Porto ter algo que não acontece em mais nenhuma parte do país: um mecenato absolutamente único e europeu.

Reuniu-se com o bispo do Porto?
Encontrei-me com muita gente da Igreja. Pedi que falassem comigo, as portas abriram-se, tive gestos fantásticos e senti uma força quase insuspeita. Independentemente da questão religiosa, reconheço à Igreja um trabalho cívico espantoso, ao lado de entidades e de gente que se entrega ao trabalho de solidariedade e se afirma por valores, que os partidos não foram capazes de incorporar.

Perfil
Elisa Ferreira foi ministra do Ambiente quatro anos, no tempo de Guterres, com a dura tarefa de impor a co-incineração, e foi ministra do Planeamento, tendo estruturado o terceiro quadro comunitário. O Douro Património Mundial e as aldeias históricas são outras das suas marcas. Além disso, esta professora universitária, doutorada em Economia, foi vice-presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte e da bancada do PS.

Fonte: JN, 1 de Janeiro de 2009

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Um fantástico ano de 2009

"De tudo, ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre a começar,
a certeza de que é preciso continuar,
a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto, devemos: fazer da interrupção um caminho novo,
da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte,
da procura um encontro..."

(Fernando Pessoa)

Um fantástico ano de 2009 para todos aqueles que continuam a acreditar e a lutar pela mudança

Cumprimentos
Celso Guedes de Carvalho
celso.guedes.carvalho@gmail.com

Houve muita gente a quem o ano correu bem

Num ano que termina com cara de enterro, é bom lembrar duas coisas: entrámos nele com bastante esperança; e apesar dos pesares, 2008 correu bem a muita gente.

Quais?, perguntará o leitor, influenciado pelos escândalos que se abateram sobre o sistema financeiro, pela queda da bolsa, pela espiral descendente da economia, pela intervenção dos Governos na economia.
Pois mesmo nos sectores tradicionais, o calçado teve um comportamento magnífico. As exportações cresceram 2%, apesar da feroz concorrência e da contracção dos mercados de destino. É verdade que um dos ícones desta indústria, a Aerosoles, enfrenta sérias dificuldades. Mas um líder como Artur Duarte, uma verdadeira força da natureza, encontrará certamente forma de dar a volta por cima.

Noutro sector dito tradicional, o de mobiliário, houve uma empresa nacional que se destacou. A Tema House exportou muito e bem, reforçando a sua imagem externa e as suas quotas de mercado. O segredo tem sido uma forte aposta no design.
Também na área das embalagens de plástico, a Logoplaste continuou a sua expansão internacional, aumentando o volume de negócios a uma taxa superior a 20%. Filipe de Botton e Alexandre Relvas continuam a ser uma dupla de sucesso.

Nas novas tecnologias e para surpresa de muitos, as empresas portuguesas estão a conquistar o mundo. O caso mais paradigmático, com a ajuda do Governo, é certo, mas sem menor mérito por causa disso, é a JP Sá Couto, que produz o computador Magalhães, um produto que alavancado pela PT e pela diplomacia económica já está em vários países africanos, no Brasil e na Venezuela.

Quem também registou um ano fantástico foi a Portugal Telecom Inovação, com o volume de negócios a crescer igualmente acima dos dois dígitos. O desafio que Zeinal Bava, presidente da PT, lançou a Alcino Coutinho e à sua equipa está a ter uma excelente resposta.

E que dizer da Critical Software, que além de se estar a desmultiplicar ganhou o Prémio Cotec Inovação? Gonçalo Quadros e a sua equipa estão de parabéns.

A Alert, liderada por Jorge Guimarães, continua a fazer um trajecto extraordinário, penetrando em mercados tão exigentes como o americano e o espanhol e colocando o seu software de gestão para hospitais em diversas unidades desses países.
A Primavera e a Altitude são outros exemplos de empresas que, depois de conquistarem o mercado interno, se lançaram com êxito ao assalto dos mercados externos, com bons resultados. Outros nomes como a Outsystems, nDrive, ISA, FiberSensing e New Vision também não lamentam os resultados que obtiveram em 2008.

Nas biotecnologias, a Bial, liderada por Luís Portela, teve um ano de ouro, com o seu primeiro medicamento, um antiepiléptico, a ser reconhecido internacionalmente e a concretizar um acordo para passar a ser vendido no mercado norte-americano. Também a Alfama registou um 2008 muito bom, na sequência da "performance" que já vinha obtendo em anos anteriores.

O levantamento não é exaustivo e será certamente injusto para muitas empresas que conseguiram encontrar as fórmulas certas para responder a um ano que foi dominado, em grande parte, por preços anormalmente elevados das matérias-primas e produtos alimentares; por uma enorme crise financeira, que tem devastado bancos, seguradoras e fundos de investimento; e por um colapso brutal da economia real, que limita drasticamente o consumo, os investimentos e o comércio mundial.

O cenário que temos pela frente é, à primeira vista, dantesco. Nunca, ao mesmo tempo, 63% da economia mundial (Estados Unidos, Europa e Japão) entrou em recessão. Nunca como agora foram tão fortes os receios de estarmos perante uma deflação, que pode manter o mundo numa agonia económica sem precedentes. E, no entanto, perante este cenário, que pode estender-se até ao final de 2010, é mais necessário do que nunca dirigir toda a nossa energia, criatividade, vontade de lutar e persistência contra esta maré negra de pessimismo que nos ameaça com a morte por inacção.

É verdade que também nunca como agora foi tão formidável a intervenção dos Estados para manter as economias à tona de água, injectando dinheiro nas empresas, nacionalizando, aliviando a carga fiscal. E há ainda que contar com juros baixos e preços do petróleo, matérias-primas e bens alimentares a um nível muito inferior ao que atingiram no passado recente.

Nem tudo são, portanto, espinhos. E como estamos fartos de saber, em qualquer crise, por maior que seja, há sempre oportunidades. Esperemos que muitos consigam encontrar o caminho do Santo Graal. Esperemos que os empresários percebam que, também eles, têm uma enorme responsabilidade social, nomeadamente ao nível do emprego. Esperemos que os trabalhadores percebam que, em certos momentos, se pode e deve sacrificar o salário para manter o emprego. Esperemos que os bancos tenham aprendido a lição e se tornem mais transparentes para com os seus clientes. E esperemos que os Governos tenham a sageza de perceber quem deve ser apoiado e em quem não deve ser desperdiçado o dinheiro dos contribuintes.

Esperemos, enfim, que todos os que vivem nesta sociedade percebam que sair da crise não depende 'deles'. Depende de todos e de cada um de nós. E ou nos salvamos todos ou iremos quase todos para o buraco. E os que não forem não gostarão de viver aqui no futuro.

Fonte: Nicolau Santos, Expresso, 27 de Dezembro de 08

Manifesto dos socialistas europeus defende uma Europa mais social e acção concertada contra a crise

Documento lançado a seis meses das eleições europeias propõe novo modelo de globalização e carta de integração dos imigrantes

A necessidade de uma Europa mais social é um dos pontos do manifesto eleitoral dos sociais-democratas e socialistas europeus ontem aprovado no conselho do PES (sigla em inglês do Partido Socialista Europeu) realizado em Madrid e que reuniu na capital espanhola uma trintena de líderes políticos.
"O Partido Socialista Europeu está comprometido com a criação de uma sociedade mais justa e mais segura, colocando as pessoas em primeiro lugar", refere o guia da acção da social-democracia a seis meses das eleições de Junho de 2009 para o Parlamento Europeu. O texto, elaborado nos últimos nove meses e aprovado por 232 delegados de 33 partidos, avança com 71 propostas concretas de acção, entre as quais a aplicação de uma agenda de reformas baseadas nos valores da igualdade, democracia, dignidade humana, solidariedade, liberdade e justiça.

Para além deste objectivo e sob o título "As pessoas primeiro, um novo rumo para a Europa", os socialistas do Velho Continente, actualmente a segunda família política do Parlamento Europeu, consideram vital uma acção concertada à escala europeia para fazer face à crise financeira. "Os opositores reaccionários da União Europeia (UE) teriam debilitado os nossos países e sem a UE seríamos obrigados a lutar contra uma crise global sem sócios nem instituições para desenvolver uma resposta coordenada", consideram.

Segundo o manifesto, os eleitores europeus têm de optar, em 7 de Junho próximo, entre a visão de uma Europa progressista, na qual os Estados membros e as instituições trabalham em conjunto para resolver os problemas, e a posição conservadora de deixar o futuro nas mãos do mercado. "Os conservadores dizem que nos devemos adaptar ao mercado e nós afirmamos que devemos pensar o futuro sem nos conformarmos ou aceitarmos que as crises são inevitáveis", refere o documento.

A social-democracia europeia sublinha ainda a necessidade de trabalhar para um novo modelo de globalização, no qual "o trabalho seja feito de uma forma mais inteligente e não mais dura". Entre outros aspectos, o manifesto aborda as politicas migratórias, defendendo a luta contra a imigração ilegal e o tráfico de seres humanos. "Os imigrantes legais devem ter os mesmos direitos e deveres que os outros trabalhadores", anota, sustentando a futura criação de uma carta europeia para a integração dos imigrantes.

Pacto para os salários
Os partidos sociais-democratas e socialistas defendem também a redacção de um pacto europeu sobre os salários que garanta um mesmo salário para o mesmo trabalho, estabelecendo salários mínimos decentes em todos os Estados da UE, aplicáveis aos trabalhadores europeus e aos imigrantes. Por fim, pugnam para que a União Europeia estabeleça uma carta europeia de trabalho para os jovens em estágios, de forma a assegurar que tenham um bom começo da sua vida laboral. Do mesmo modo, é proposta a redacção de uma carta europeia dos direitos da mulher, que tem como meta a promoção da igualdade de género em todos os aspectos da vida social, económica e política.

Fonte: Público, 02.12.2008

quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Ana Gomes pede debate político no congresso do PS

A eurodeputada Ana Gomes recusou-se ontem a comentar a notícia do PÚBLICO sobre a eventualidade de não ser incluída nas listas eleitorais do PS para o Parlamento Europeu, mas defendeu que o congresso do partido, marcado para 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março, deve ser um espaço de debate político.

Estabelecendo o paralelo com Elisa Ferreira, eurodeputada que deverá ser a candidata do PS à Câmara do Porto, mas manter-se na lista ao Parlamento Europeu, Ana Gomes afirmou: "Concordo com a Elisa Ferreira, uma pessoa não tem que estar inactiva para mostrar que quer muito uma tarefa."

Já sobre a situação interna no PS e a realização do próximo congresso, Gomes disse concordar com a posição publicamente assumida por Paulo Pedroso, na edição de ontem do PÚBLICO, em que pedia que aquela reunião magna do partido tivesse debate. "Estou disponível para discutir políticas, mas desde que fique claro que não estamos a desafiar a liderança", afirmou a eurodeputada, acrescentando que espera mesmo que "haja discussão política no congresso".

Fonte: Público, 18.12.2008

terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Estónia. Parlamento aprova votação via telemóvel

A Estónia vai tornar-se no primeiro país do mundo onde vai ser possível participar num processo eleitoral através de telemóvel.

A lei eleitoral já foi devidamente alterada, sendo que o objectivo foi introduzir uma maior comodidade ao processo, aumentando assim a participação eleitoral.

Recorde-se que a Estónia tem vindo a testar o voto através da Internet desde 2004, tendo em 2008 realizado a primeira experiência de votos validados através da web.

Se tudo correr conforme o previsto, as próximas eleições que terão lugar em 2011 já vão poder contar com a nova modalidade de votação.

Fonte: SMH, 2008-12-15

segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

A ocasião faz o ladrão

A um deputado não se exige exemplaridade, mas dele deve, no mínimo, reclamar-se seriedade. Quem nos representa não pode passar o traço contínuo.

Sejamos claros: assinar o "ponto" e não trabalhar é bem pior do que assumir a falta, por razões mais ou menos ponderosas. Trata-se de uma actuação fraudulenta, que deve ser objecto de sanção adequada. A gravidade de tal comportamento é tanto maior quanto maiores forem as responsabilidades de quem o adopta. A um deputado não se exige exemplaridade, mas dele deve, no mínimo, reclamar-se seriedade. Sabemos que a tentação é grande, sobretudo se a ética se verga às circunstâncias. Portamo-nos impecavelmente quando corremos o risco de ser punidos; passamos sem pestanejar o traço contínuo se a vigilância relaxa. A ocasião faz o ladrão, mas quem nos representa não pode passar o traço contínuo. Nem apanhando o polícia distraído.

Serve este intróito para reconduzir à sua exacta dimensão o debate em torno da ausência de dezenas de deputados, quando se votava a suspensão da avaliação de professores. Que é escandalosa, ninguém refuta. Casos como este corroem ainda mais a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas. É, no entanto, preciso sublinhar que se trata de um problema de ética individual - ou de falta dela. Dilua-se a responsabilidade de cada eleito numa culpa colectiva - por natureza difusa e convenientemente anónima - e será dado um passo no sentido de pôr em causa a própria Assembleia da República. O exercício, perigoso, talvez aproveite a alguém. Afinal, é nesta massa que fermentam os populismos.

O triste episódio convoca as direcções dos partidos a uma intervenção disciplinadora, mais do que moralizadora, ainda que insusceptível de beliscar o núcleo essencial de independência dos deputados. Recuperar o discurso do "não cuspas para o ar; pode cair-te em cima!", que pegou há quase uma década, quando a bomba das "viagens-fantasmas" rebentou, é de todo inaceitável, pelo simples facto de, invariavelmente, desembocar na desculpabilização mútua.

Em nome da transparência, é preciso identificar os prevaricadores e distinguir claramente as situações de falta (justificada ou não) ou ausência em missão parlamentar das situações de irregularidade, o "chico-espertismo" de quem assina o livro de presenças e zarpa no momento seguinte. Para que os deputados não sejam todos metidos no mesmo saco e se limitem os danos já causados à imagem do Parlamento, deve agir-se quanto antes. Não é válida a invocação de falta de meios, muito menos o recurso a argumentos, digamos, tecnológicos. Se na sala do Senado do palácio de S. Bento, onde tudo aconteceu, não está instalado o dispositivo de voto electrónico, há certamente imagens capazes de pôr tudo em pratos limpos: quem compareceu, se votou, como votou.

Fonte: Paulo Martins, JN, 11 de Dezembro de 2008